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Está a decorrer o concurso “Brincando com as Palavras”.
Para comemorar os 40 anos da criação deste formato poético, o concurso deste ano tem duas versões, uma em cada semestre. Se pretendes concorrer, certifica-te que sabes como se escreve neste formato. Vê, mais abaixo, em “Como se escreve no formato simbiose”.

A Simbiose premiada no concurso de 2018

Adere ao grupo Poetas Simbióticos

  Encomenda uma Simbiose



Em 1979, este formato poético, então inédito, foi distinguido com o Prémio “Revelação” de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. O trabalho premiado foi publicado pela Editora Arcádia, Lisboa (Coleção Licorne), em 1980, com prefácio de Alberto Pimenta, um dos elementos do júri do concurso, que homenageio aqui numa Simbiose autobiográfica. A editora fechou, mas o texto está disponível aqui


Um dos poemas deste conjunto, ilustrado em vídeo


Como se escreve no formato simbiose
Especial atenção ao ponto 4.2

1) Uma Simbiose parte sempre de um mote. Partes das palavras desse mote são usadas para gerar outra palavra, que é sempre o início de uma das linhas do poema. O vídeo abaixo serve de  exemplo do mote “A capacidade de repartir”:

Portanto:

A primeira sílaba da palavra capacidade foi “retirada” para formar “Cabemos, início da primeira linha.

A segunda sílaba (pa) foi usada para formar o termo “Parece-nos,
início da segunda linha.

A quarta sílaba (da) foi aplicada na formação do termo “Dar,
início da terceira linha.

As restantes sílabas da palavra capacidade (ci e de), por não terem sido usadas, ficam arrumadas à esquerda e não participam na leitura do poema.

O mesmo processo ocorre com as restantes palavras do mote.

2) O mote tem de ser legível, “descendo” pelas letras da frase fragmentada. Em alguns vídeos ilustrativos (como no que acabaste de ver) tal não acontece por uma questão estética. A “regra” é esta:

Usar duas cores contrastantes, como no exemplo apresentado, pode ser útil.

Que termos escolherias começados por Ca…,  Pa…, Da…, etc.?
Aqui tens uma grande ajuda.

3) Acerca do mote, resta dizer que ele pode ser:

1) Da autoria do próprio poeta simbiótico.

2) Uma sentença de uma pessoa famosa.

3) Um verso de outro poeta.

4) Congeminado por este método bastante divertido.

Enfim, a escolha é tua.

4) Repescando o nome do concurso (Brincando com as Palavras) todas as brincadeiras são possíveis, exceto:

1) As letras/sílabas arrumadas à esquerda, têm de estar presentes, sob pena de o mote não poder ser “reconstruído” durante a leitura na vertical.

2) Atenção a este ponto: todas as linhas do poema têm de começar com letras/sílabas retiradas do mote. No exemplo abaixo, a linha azul está a violar a regra:

Alguns trabalhos enviados para o concurso, têm sido rejeitados por falharem nestes pontos.

Isto é o que há a dizer sobre a parte formal do poema. Porém, o essencial  é o conteúdo. É nele que se aprecia a inspiração (e se imagina a transpiração) do poeta simbiótico.

Quanto o rimar ou não rimar, pouco importa.

Se pretendes participar no concurso Brincando com as Palavras, aqui tens o regulamento.

Para terminar
Quando se usam todas as letras das palavras do mote de uma forma sequencial, deixa de ser uma Simbiose e passa a ser um Acróstico.
Abaixo, um exemplo sobre um tema interessante:

                                  Sobre a lisura branca do papel,
                                  impressa por mão estranha, vão ficando
                                  mutações transgressoras da Palavra.
                                  Bocados soltos de memória ancestral,
                                  incompletos, onde sempre se baseia
                                  o trabalho possível de todo o criador: –
                                  Sonhar constantemente a criação
                                  e reconhecer que, afinal, não é sua.


Informação adicional

Após a publicação de “Simbioses”, ainda em 1980, associando-me às comemorações do 4º centenário da morte de Luís Camões, compus as SEIS RESPOSTAS A CAMÕES. Aqui, o mote foi o primeiro verso de seis dos seus sonetos mais famosos. Alguns estão em “Motes alheios“.

Em 1993, doze anos depois, compus OS 12 ESTADOS DO SER, sobre os signos astrológicos. A obra foi publicada pela editora brasileira “Nova Fronteira”.

Em 2014, surgiu um conjunto inspirado nas lâminas do Tarot de Anura, criado em colaboração com Esmeralda Rios. 

Também em 2014, o processo é retomado com publicação em
Motes do autor” — “O Repouso” — “Motes Alheios

Em 2018, aprendi a introduzir movimento nas letras saindo do mote para formarem os versos do poema, o que enriqueceu bastante as ilustrações em vídeo.

Muito obrigado pelo seu interesse.

Vitorino de Sousa
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