Ai flores…

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Na Cantiga de Amigo, de D. Dinis, em que se baseia esta Simbiose,
a donzela procura o seu Amigo, em busca do Amor.
Aqui, eu procuro a Deusa, minha Amiga, em busca da Lucidez. 

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Cantiga de Amigo de D. Dinis (1261 / 1325)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional 568, Cancioneiro da Vaticana 171

(A donzela apaixonada questiona as “flores do verde pino”)

Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?

(As “flores do verde pino” respondem)

Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?

Esta é uma das Cantigas de Amigo mais conhecidas de D. Dinis.
Nela, podemos imaginar a voz de uma mulher a falar do seu amado.

Nas primeiras quatro estrofes, a donzela dirige-se às flores, perguntando-lhes se sabem notícias do amado que teria combinado um encontro. Ansiosa, pensa que ele não aparecerá. Ter a Natureza como único confidente, significa que está sozinha, donde se deduz que seria um encontro amoroso num local isolado.

Nas últimas quatro estrofes, as flores respondem-lhe, garantindo que o amado irá cumprir o prometido. Sabendo-se que as flores não falam
(ou nós não conseguimos ouvi-las),
decerto funcionam aqui como a manifestação do desejo da donzela.

O que levaria um homem a escrever, assumindo uma voz feminina?
Provavelmente, seria uma maneira de imaginar uma situação por ele desejada:
– um encontro a sós com uma mulher que o espera ansiosamente.

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