Alma minha gentil, que te partiste

A minha homenagem àquele que morreu na miséria e que, hoje, é tido como o maior da poesia portuguesa. Celebra-se a 10 de Junho, com pompa e circunstância.

Uma Simbiose parte sempre de um mote. Partes das palavras desse mote são usadas para gerar outra palavra, que inicia uma das linhas do poema. O vídeo abaixo apresenta esse movimento das letras e, também, a minha leitura desta Simbiose… que podes guardar e oferecer.

Repara como o que acabaste de ler e ouvir é diferente disto.

Esta “alma minha” é a escrava chinesa Dinamene, que morreu num naufrágio no mar da China, transe também sofrido por Camões. Presentemente, porém, há quem duvide desata associação. Seja como for, aqui fica esta Simbiose inspirada por um soneto genial… embora muita gente goze por causa do “Al maminha”!

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.  

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.  

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,  

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

A minha leitura deste soneto, que podes guardar e oferecer.