Alma minha…

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Em Portugal sempre se praticou uma política de desapreço em relação aos criadores, quer pela generalidade da classe dirigente por falta de interesse, quer da população por carências de educação. A minha homenagem àquele que morreu na miséria e que, hoje, é tido como o maior da poesia portuguesa.
Celebra-se a 10 de Junho, com pompa e circunstância.

A minha leitura desta Simbiose
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Esta “alma minha” é a escrava Dinamene, que morreu num naufrágio no mar da China, transe também sofrido por Camões. Presentemente, porém, há quem duvide que esta “alma minha” seja a dita escrava. José Canhoto Costa, na página 33 do seu livro Os Vícios dos Escritores (edições Desassossego), refere: “Segundo o professor (José) Hermano (Saraiva) Dinamene aparece na lírica muito antes da viagem de Camões pelo Oriente”.

Seja como for, aqui fica esta Simbiose inspirada por um soneto genial… embora muita gente goze por causa do “Al maminha”!

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.  

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.  

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,  

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

A minha leitura deste soneto de Luís de Camões
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