Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…

Uma Simbiose parte sempre de um mote. Partes das palavras desse mote são usadas para gerar outra palavra, que inicia uma das linhas do poema. O vídeo abaixo apresenta esse movimento das letras e, também, a minha leitura desta Simbiose… que podes guardar e oferecer.

Este poema foi escrito em 1980, por ocasião do 4º centenário da morte de Luís de Camões. Muita coisa mudou entretanto em Portugal. Só que não mudou assim tanto, para quem devia ter mudado. Alguns substantivos e adjectivos foram revistos em 2018; não toquei no desencanto.

Aqui está uma espécie de continuação.

O soneto de Luís de Camões

 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

A minha leitura deste soneto, que podes guardar e oferecer.