Erros meus, má fortuna, amor ardente

 

Poema em formato Simbiose sobre o primeiro verso de um dos sonetos de Camões. Em Portugal sempre se praticou uma política de desapreço em relação aos criadores, quer pela classe dirigente, que, genericamente, é ignorante, quer pela população que, como não podia deixar de ser, foi estupidificada pelos ignorantes. A minha homenagem àquele que morreu na miséria e que, hoje, é tido como o maior poeta da língua portuguesa. Celebra-se a 10 de Junho com pompa e circunstância.

Erros meus, má Fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Soneto comentado

Biografia de Luís de Camões

 

 

Vivendo essa crença…


Ao referir as “vaginas vagabundas” e os “pénis deambulantes”, não pretendo avivar a fogueira da rebaldaria que vai por aí.

Sei muito bem o que é “fominha encoberta” e solidão disfarçada de socialização íntima.

Pedindo desculpa pelo atrevimento, isto é só para fazer pensar um bocadinho.

O vídeo abaixo ajuda!

 

23) Peixes (inverno)

s23_peixes

… Ao do Tridente demos a mão,
Neptuno — o deus dos mares —, usava um tridente como símbolo do seu poder.

Segurando na Memória a paz e a alegria do suspiro conclusivo
Seria conveniente e aprazível soltar o último suspiro em paz, sentindo comoção; não de alívio, mas de repouso merecido.

doar a sua rica essência ao Grande Dono da Cadinho Criativo
Voltar ao “local de origem”, não deixando “raízes” neste planeta.

Vendamos, pois, os olhos com as pálpebras e passemos o Portão!
Fechar os olhos (morrer, ou seja, mudar de estado) e cruzar o portal de acesso a outra dimensão.


O décimo segundo que perdoa e dissolve

 Eu sou o Inspirado Missionário. Sou quem perturba e assusta devido à neblina com que esbato os contornos, à falta de clareza e à sensação de encantamento que promovo. Comigo andam a decepção e a ingenuidade, o autossacrifício, o idealismo, a distorção da realidade e a fantasia. O meu reino é o das profundezas do mar, onde tudo é ambíguo e sem barreiras, onde as formas se misturam e confundem. Perante a fealdade do quotidiano, quem quer que me identifique é tentado a refugiar-se no mundo dos sonhos e das visões. Eu sou o anseio religioso de retornar à Fonte Primordial da Vida. No entanto, infiltro a profunda sabedoria interior de que a alma humana, o divino e todas as formas de vida estão interligadas. Quem me venera, anseia por paz e amor, e procura a salvação por meios divinos, destruindo a ênfase consciente no lado material da vida, de modo a que essa sensação possa ser vivenciada. Ao longo destes doze passos, dos quais eu sou o último, é suposto uma criatura nascer e completar-se. Depois de ter passado pelo triplo Fogo (o Breve, o Constante e o Boreal), pelo triplo Ar (o Racional, o Equilibrado e o Intuitivo), a tripla Terra (a Primaveril, a Crítica e a Fria) e por dois tipos de Água dissemelhantes (a Uterina e a Pantanosa), essa entidade chega a mim e mergulha na última Água (a Dissolvente), a do sonho e da compaixão, do sacrifício e do perdão, da inspiração e do Amor Maior. Deverá largar o lastro da discriminação, tudo integrar e amar a Totalidade. Mas como no reverso da minha medalha se inscrevem as atitudes evasivas, a ilusão, a irresponsabilidade e a apetência por paraísos artificiais, é inevitável que esse ciclo individual se tenha fechado de forma inconveniente. Assim, é imperioso recomeçar. Impõe-se abandonar o invólucro material, partir para outras paragens e aguardar por nova vez. Independentemente da época do ano em venha a presidir ao novo nascimento, o ciclo recomeçará do princípio, mas não partindo do zero em termos de evolução. As passagens acumular-se-ão até conclusão satisfatória. Então, já nada haverá para fazer na Terra. Para as entidades que chegam, por cá evoluem e partem para de novo regressar, eu sou

O décimo segundo que perdoa e dissolve