Como se escreve no formato “simbiose”.



Em 1979, este formato poético, então inédito, foi distinguido com o Prémio “Revelação” de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. O trabalho premiado foi publicado pela Editora Arcádia, Lisboa (Coleção Licorne), em 1980, com prefácio de Alberto Pimenta, um dos elementos do júri do concurso, que homenageio aqui numa Simbiose autobiográfica. A editora fechou, mas o texto está disponível aqui


Um dos poemas deste conjunto, ilustrado em vídeo

Quando se usam todas as letras de uma palavra de uma forma sequencial, deixa de ser uma Simbiose e passa a ser um Acróstico. Um exemplo:

                                                     Sobre a lisura branca do papel,
                                                      impressa por mão estranha, vão ficando
                                                     mutações transgressoras da Palavra.
                                                     Bocados soltos de memória ancestral,
                                                     incompletos, onde sempre se baseia
                                                     o trabalho possível de todo o criador: –
                                                     Sonhar constantemente a criação
                                                     e reconhecer que, afinal, não é sua.


Informação adicional

Após a publicação do livro “Simbioses”, ainda em 1980, e associando-me às comemorações do 4º centenário da morte de Luís Camões, compus SEIS RESPOSTAS A CAMÕES. Aqui, o mote foi o primeiro verso de seis dos seus sonetos mais famosos. Alguns estão em “Motes alheios“, no conjunto “Convivendo com poetas e escritores”

Em 1993, doze anos depois, compus OS 12 ESTADOS DO SER, sobre os signos astrológicos. A obra foi publicada pela editora brasileira “Nova Fronteira”.

Em 2014, surgiu um conjunto inspirado nas lâminas do Tarot de Anura, criado em colaboração com Esmeralda Rios. Estas 80 Simbioses estão no livro que acompanha a caixa com as lâminas.

Em 2018, aprendi a introduzir movimento nas letras saindo do mote para formarem os versos do poema, o que enriqueceu bastante as ilustrações em vídeo.

Muito obrigado pelo seu interesse.

Vitorino de Sousa
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